Cláudio Dálio Albuquerque Júnior
Manaus é possuidora de um notável diferencial no transporte de cargas que a torna especial em relação ao restante do país, neste sentido, há necessidade de um transporte de carga intermodal. Ou seja, ao exportar mercadorias para o restante do país, muitas vezes apenas um meio de transporte não é suficiente para realizar o escoamento da carga e isto é um grande desafio à logística de nossa cidade.
Antes de abordar o tema da exportação é interessante observar como as cargas circulam dentro do espaço urbano de Manaus. Deve-se notar que a logística de cargas é mal distribuída, uma vez que os principais condutores de carga estão localizados em três pontos, um em cada extremo da cidade. O Porto de Manaus na Zona Sul, o Distrito Industrial na Zona Leste e o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes na Zona Norte. E o que é encontrado no meio deste triangulo? O trânsito de pessoas. Não é preciso ser um grande pensador para saber que a carga irá escoar pela cidade, seja do Distrito para o Porto ou do Aeroporto para o Distrito. Caminhões, atravessando a mesma, transportam grandes contêiners ocupando as faixas que eram destinadas ao trânsito de carros e ônibus diminuindo o fluxo da via. Este problema gera diversos outros como lesões ao longo das vias que não foram projetadas para suportar o atrito causado pelo peso do veículo carregado, acarretando em altos prejuízos para a sociedade.
Tendo em vista estes problemas, as empresas que trabalham com transporte de cargas possuem outro desafio a superar, integrar os mais diversos tipos de sistemas de transporte. Como manter a qualidade do serviço prestado sem comprometer a mercadoria? É desgastante só de pensar. Um dos sistemas muito utilizado é o modelo pool, onde são estabelecidas parcerias para cumprir o objetivo de transportar com o menor gasto possível. Hoje em Manaus existem empresas especializadas apenas em logística, na gestão do transporte. Outra grande dificuldade encontrada em Manaus é a demora do escoamento de cargas no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes que já ocasionou US$ 650 milhões em prejuízos às fábricas do Pólo Industrial de Manaus (PIM) neste primeiro semestre, segundo estimativa do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos e Eletrônicos de Manaus (Sinaees). O ocorrido foi que este sistema de transporte não acompanhou o desenvolvimento econômico do Amazonas. É mais um fato a se pensar. De que adianta ter uma alta produção e não transportá-la? Produção armazenada não gera riquezas. O mais interessante é ter a noção de como um simples atraso pode transformar minutos em milhões. O celular, por exemplo, é um aparelho que tem uma alta rotatividade no mercado. Supondo que uma empresa especializada na produção deste aparelho consiga desenvolver uma novidade e que a sua produção está comprometida, pois um dos componentes eletrônicos está preso devido a não liberação em um modal de transporte qualquer. Isto dá tempo para que a concorrência, em um mercado altamente competitivo e desleal, onde minutos fazem toda a diferença, desenvolva um produto que comprometa as vendas da primeira empresa. Espero que as autoridades visualizem e controlem estes problemas e cooperem com a produção e qualidade de vida de nossa cidade.
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