sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A estruturas das cidades

Orlando Freire Neto

A análise da interação entre uso do solo e transportes é delicado do ponto de vista da avaliação da integração entre as políticas de uso do solo e a disponibilidade de infraestrutura de transportes. Atualmente, pode-se identificar uma retomada do interesse em explorar o potencial entre as políticas de uso do solo e transportes como forma de superar problemas das infraestruturas urbanas. Historicamente, o processo tradicional de planejamento de transportes considerou o padrão de atividades sociais como um insumo para previsão da demanda de viagens, até que a preocupação com o desenvolvimento urbano motivou uma busca por diversos modelos, considerando os efeitos da alimentação dos transportes sobre a localização das atividades.
O enfoque inicial do processo tradicional é apenas descritivo, no sentido de exigir que sejam concebidos alguns cenários e políticas alternativas, que são então tomados como insumos para análise e avaliação dos efeitos de cada cenário de ação. Esta avaliação é baseada na simulação da dinâmica urbana, em particular do sistema de transportes, essência dos esforços de representação dos modelos de planejamento de transportes urbanos. Mesmo limitando-se à representação do sistema de transportes, a dificuldade de analisar os resultados destas simulações revela de forma marcante a dificuldade do contexto urbano. No Brasil foram implantados modelos para planejamento de transportes com formulações bastante detalhadas da interação com o uso do solo. Os detalhes se referem tanto ao nível de desagregação das atividades sociais representadas quanto aos aspectos relacionados com a modelagem das escolhas entre locais de atividades e formas de transportes, incluindo a simulação da dinâmica do mercado imobiliário em relação à demanda por localização de atividades. Portanto, os modelos integrados não satisfizeram as necessidades dos planejamentos anteriores, na medida em que não contribuíram para identificar ações relevantes para resolução dos problemas sociais das cidades.
No final dos anos 70 houve uma mudança nos esforços de aplicação de modelos complexos da interação entre uso do solo e transportes, sem que houvesse sido proposto um procedimento adequado, alternativo, para examinar essa questão.
Embora insuficientes para lidar com a complexidade dos efeitos originados de novos mudanças sobre a infra-estrutura de transportes, e menos ainda para lidar de forma sistemática com a complexidade da interação entre uso do solo e transportes, estas são as diretrizes que nortearam os planos diretores de desenvolvimento urbano, em geral, e são utilizados até hoje.

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