quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mais infraestrutura para transporte em Manaus

Manaus vivencia hoje um doce problema: a economia está aquecida e a infraestrutura do aeroporto de Manaus está aquém da necessidade das empresas. Vi pessoalmente no dia 28/04 os administradores do aeroporto informarem que se tivéssemos três terminais do tamanho do atual TECA III eles estariam ocupados com o volume de cargas que está sendo recebido. Para mim foi surpreendente a afirmação.
Não deveria, mas me surpreendi por não termos infraestrutura pronta para o crescimento. Também me surpreendi pela forma, pois os administradores indicaram que deveriam ter sido avisados e as empresas seriam culpadas pela sobrecarga, afinal se as empresas não transportassem não teríamos sobrecarga. É uma surpresa, pois contraria a teoria da administração de infraestrutura de transportes. Surpreendi-me também por termos conseguido índices de crescimento tão grande em tão pouco tempo, pois o administrador alegou +200% de crescimento na movimentação, em dois anos.
Por outro lado quem vivencia, enquanto usuário, a dinâmica do aeroporto de Manaus e outros aeroportos do mundo, definitivamente não se surpreendem com a falta de estrutura para crescimento em Manaus. Basta ser passageiro e experimentar processos simples como: retiradas de bagagem em voo internacional, onde aqui falta espaço, falta esteira, faltam pessoas, falta agilidade etc. Pelo menos não falta boa vontade de quem ali trabalha.
Por vezes fico surpreendido como se indica a oportunidade do aeroporto de Manaus ser um hub aeroportuário. Se apenas boa vontade fosse suficiente até que poderia ser, mas se considerarmos o fluxo de pessoas e capacidade do aeroporto não me parece fazer sentido. Talvez fosse conveniente analisar algum grande aeroporto como o de Atlanta ou Londres e comparar como e em quanto tempo cada um deles resolve a transferência de voos no modelo de hub, antes de se realizar este projeto. Espero que antes depois os passageiros não sejam acusados de terem vindo para Manaus sem avisar antes. O ano de 2014 está chegando e os passageiros não estão avisando, mas eles virão para a Copa.
Modelos de desenvolvimento sempre indicam que a estrutura de transporte deve ser construída ANTES do desenvolvimento e do investimento privado, afinal ela é que suportará as cadeias produtivas. Aqui em Manaus a infraestrutura parece estar depois do desenvolvimento. Além disso, as empresas ainda recebem reclamação dos agentes administradores por não terem sido avisados que existia o interesse de aumentar a produção.
Para que não recebamos mais este tipo de reclamação, este texto registra que existe por parte das empresas de Manaus um legítimo interesse de aumentar a sua produção. As empresas aqui instaladas estão interessadas em crescer e para isso será preciso mais infraestrutura de transporte de todos os tipos. Para não haver mais problemas de comunicação, indico que precisaremos de mais recursos: (a) para transporte de passageiros; (b) para transporte de cargas aéreas; (c) para transporte de cargas rodoviárias/rodofluviais; (d) para transporte de carga por cabotagem e (e) para transporte de dados (Internet). Ademais, indico também que precisamos de mais agilidade para a liberação das cargas e passageiros, entrando e saindo de Manaus.
A propósito, existe um círculo virtuoso: quando a infraestrutura de transporte é melhorada, o desenvolvimento acontece, pois as pessoas usarão tal estrutura. É só observar a ampliação de vias urbanas ao longo dos anos: quando uma via pública é aumentada, em algum tempo ela volta a engarrafar. O mesmo se dá em outros sistemas de transporte: ao ampliar a infraestrutura, ela será usada.

Augusto César Barreto Rocha (*)
(*) Doutor em Engenharia de Transportes, Coordenador da Comissão de Logística do CIEAM/FIEAM, professor e diretor de empresas.
Publicado no Jornal do Comércio / AM, Maio/2010

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