Cláudio Dálio Albuquerque Júnior
No trajeto dos seus afazeres diários, os usuários do transporte público de Manaus são confrontados com problemas exaustivos e constantes. Ônibus lotado, motoristas que não param onde devem, ruas alagadas, falta de abrigo contra os intempéries, falta de acesso para deficientes físicos, dentre muitos outros que a população está saturada de saber e muitas vezes vivenciar. Os usuários sofrem e os informados não agem. Como cobrar do governo a exigências da concessão do transporte público às empresas privadas que é um direito de todo cidadão? Esta batata ninguém quer segurar e quem sofre somos nós, o povo sujeito. As empresas de ônibus, que são reguladas pelo governo, alegam não possuir recursos para solucionar os problemas. Contudo, como então arrecadar os recursos necessários? Os nossos problemas não são recursos, mas falta de planejamento. São simples processos que nos levam à solução de tão absurdas afrontas e desrespeito aos usuários do transporte público de Manaus.
Nossa cidade não possui um estudo adequado e especializado na eficácia do sistema de transporte. É de fácil percepção do público alvo deste texto que em dias de grandes eventos como shows e horários de pico o sistema pára, a cidade pára. Situações adversas como estas carecem de um estudo da demanda, da procura pelo transporte coletivo, em dados momentos para que possa haver uma oferta adequada evitando a superlotação. Como Manaus não possui outros modais de transporte coletivo, as empresas de ônibus pagam caro pelo tempo perdido em engarrafamentos devido ao excesso de veículos em uma via de baixa capacidade. Problema este muito freqüente em dia de eventos no Centro Cultural dos Povos da Amazônia em plena Bola da Suframa, porta do Distrito Industrial. Logo, os empresários, para não ter prejuízo, reduzem a frota de ônibus ocasionando em superlotação. É uma visão sistêmica do problema, pois uma decisão provoca outra decisão. No caso da Bola da Suframa é inviável o alargamento da pista e muito menos a construção de estacionamentos. Apenas de desapropriação seriam gasto milhões e, já que o problema é a falta de recursos, torna a solução inviável. Até mesmo com o alargamento, muito em breve, voltaríamos a ter os mesmos problemas. Devemos repensar os conceitos e notar, com uma simples análise do problema, que a solução não é favorecer o transporte individual, mas fortalecer a estrutura do transporte coletivo dando prioridade a este. Com a construção do novo porto de Manaus associado ao aeroporto de Ponta Pelada será ocasionado o corte da rota correspondente ao transporte de cargas entre o Centro e o Distrito Industrial resultando em mais espaço nas vias deste trecho.
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