Manaus x Planejamento dos Transportes
Cláudio Dálio Albuquerque Júnior
Vem à tona em Manaus o enorme desconforto no deslocamento à escola, ao trabalho, dentre outros, acarretando em perda de produtividade do estudante e do trabalhador. Uma série de desperdícios aflige a economia da nossa cidade. Esta, tão rica em patrimônios culturais e ecológicos, ofusca o seu brilho no desgostoso tempo perdido em uma prisão. Prisão esta, não de grades, mas de automóveis e pessoas que dependem do único sistema a eles apresentados. A falta de incentivo estrutural ao transporte público agindo conjuntamente com as promoções e facilidades de compra com respeito ao transporte individual motorizado tem elevado em desigual quantidade e qualidade, quando se trata de maus condutores, os usuários dos meios próprios de locomoção.
A forte tendência ao transporte individual que nossa cidade possui é reflexo de uma total ignorância por parte dos grandes tomadores de decisão. Estudos comprovam que o problema de nossa cidade não é a largura das vias em si, mas a má distribuição dos Pólos Geradores de Tráfego (PGT) como Shoppings e Centros Culturais. Ou seja, o mau uso do solo. Sofremos com problemas de acessibilidade e mobilidade. Existem poucos corredores de tráfego, onde todos são mal sinalizados e não fiscalizados como devido. Quem nunca perdeu preciosos minutos, ou horas, procurando um local? Ou fez repentinas curvas e até mesmo diversas vezes o mesmo retorno procurando a rua e o número correto? A “Terra do Calor” castiga naturalmente os usuários das vias, mas quando intensificado pelo trânsito lento torna a nossa cidade inóspita. A solução está em distribuir os PGT pela cidade, criando novas vias de acesso reduzindo, assim, a intensidade do transporte no local. A lógica empregada pelo nosso atual sistema é ineficaz.
A nossa realidade é que os governos não seguem um planejamento, mas assimilam uma luta entre si, destruindo o que já fora construído de antemão. O nosso aterro controlado não suporta Resíduos de Construção e Demolição (RCD). Ou seja, Toda a falta de planejamento do transporte afeta o nosso sistema macro chamado cidade. Manaus é destacada como uma das piores cidades competitivas em um país que já é pouco competitivo ocupando a sexagésima quarta posição no ranking mundial segundo o Índice de Competitividade global do World Economic Forum (2009-2010). Agora cabe a nós deixar de pensarmos em ser reconhecido como o melhor dentre os piores municípios do Brasil e passarmos a enxergar que somos o pior dos melhores e carentes do desenvolvimento. Existem modelos prontos para serem adaptados e implementados à nossa realidade. Basta apenas o interesse político nesta rica, porém barata, solução, o planejamento dos transportes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário