Manaus sempre teve grandes capacidades naturais para
uso dos transportes aquaviários, pois é localizada em uma região rica em
recursos hídricos. A cidade passou historicamente por dois grandes marcos que
geraram grande crescimento populacional e geográfico. O primeiro ocorreu no
início do século XX, que foi o ciclo áureo da borracha com grande aumento dos
imigrantes nordestinos e europeus, aonde a cidade chegou a ser comparada a Paris.
Nesta época, o meio de transporte mais comum era o bonde, implantado pelo
governador Eduardo Ribeiro, a navegação nos igarapés, além do uso do porto que
foi instalado e passou a receber diversas embarcações.
O segundo momento de grande crescimento ocorreu já na
década de 1960, que foi a chegada do Polo Industrial de Manaus (PIM), sendo
responsável também por enorme quantidade de imigrantes de diversos locais,
ocupando de forma desordenada as zonas próximas ao PIM e adentrando mais a
cidade. Neste período houve grande crescimento do transporte rodoviário, do
aquaviário nos grandes rios como madeira para escoamento dos produtos e
aeroviário.
Em ambos os períodos, os transportes urbanos
estiveram mais focados nos modais terrestres. Deixando de explorar assim, o
maior recurso existente, os diversos igarapés espalhados por toda a cidade. Vários
motivos fizeram com que o desuso passasse a crescer gradativamente, tais como:
modelos políticos e programas que visavam utilização do solo em construções
urbanas como edifícios, como exemplo atual o PROSAMIN, pontes, diversas
avenidas e etc., poluição dos leitos e cursos d’água, assoreadas por invasões
populacionais que eram expulsas dos centros urbanos em desenvolvimento, dentre
vários outros fatores que fizeram a cidade ficar refém praticamente do modal
rodoviário.
Essa tendência fez com que rapidamente, e
intensificada com a explosão demográfica causada pela Zona Franca de Manaus
aliada ao surgimento de vários polos geradores de tráfego, o modal não
conseguisse mais suprir a demanda de automóveis, gerando congestionamentos em
vários pontos ao longo da cidade.
Uma solução para estes problemas seria a recuperação
dos leitos naturais que circundam o local, tanto no transporte de pessoas como
no de cargas, visto que os igarapés percorrem todas as zonas da cidade. Isto
levaria tanto em um alívio do modal rodoviário como seria bom para o turismo na
cidade, podendo desta forma fazer uma nova Veneza como em outros tempos já foi
sonhado. Outro ponto importante seria a despoluição das águas e
consequentemente melhorias para o meio ambiente, podendo trazer novamente
balneários que antes eram frequentes ao longo dos igarapés e deixando a cidade
mais agradável em todos os aspectos.
Porém, um projeto ousado como esse teria de ser bem
pensado e de preferência ser integrado com outros projetos viários já
existentes, pois vários obstáculos existem, como a grande desapropriação dos ribeirinhos,
derrubada de pontes, além de questões econômicas. Mas avaliando de um modo
geral, os benefícios se sobressaem na maioria dos aspectos, sendo esta, uma
forma de tratar os problemas dos transportes na cidade e trazendo de volta algo
que foi usado logo em sua colonização.
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