domingo, 14 de julho de 2013

MANAUS, RIQUEZA HÍDRICA DESPERDIÇADA A CADA ANO


Manaus sempre teve grandes capacidades naturais para uso dos transportes aquaviários, pois é localizada em uma região rica em recursos hídricos. A cidade passou historicamente por dois grandes marcos que geraram grande crescimento populacional e geográfico. O primeiro ocorreu no início do século XX, que foi o ciclo áureo da borracha com grande aumento dos imigrantes nordestinos e europeus, aonde a cidade chegou a ser comparada a Paris. Nesta época, o meio de transporte mais comum era o bonde, implantado pelo governador Eduardo Ribeiro, a navegação nos igarapés, além do uso do porto que foi instalado e passou a receber diversas embarcações.
O segundo momento de grande crescimento ocorreu já na década de 1960, que foi a chegada do Polo Industrial de Manaus (PIM), sendo responsável também por enorme quantidade de imigrantes de diversos locais, ocupando de forma desordenada as zonas próximas ao PIM e adentrando mais a cidade. Neste período houve grande crescimento do transporte rodoviário, do aquaviário nos grandes rios como madeira para escoamento dos produtos e aeroviário.
Em ambos os períodos, os transportes urbanos estiveram mais focados nos modais terrestres. Deixando de explorar assim, o maior recurso existente, os diversos igarapés espalhados por toda a cidade. Vários motivos fizeram com que o desuso passasse a crescer gradativamente, tais como: modelos políticos e programas que visavam utilização do solo em construções urbanas como edifícios, como exemplo atual o PROSAMIN, pontes, diversas avenidas e etc., poluição dos leitos e cursos d’água, assoreadas por invasões populacionais que eram expulsas dos centros urbanos em desenvolvimento, dentre vários outros fatores que fizeram a cidade ficar refém praticamente do modal rodoviário.
Essa tendência fez com que rapidamente, e intensificada com a explosão demográfica causada pela Zona Franca de Manaus aliada ao surgimento de vários polos geradores de tráfego, o modal não conseguisse mais suprir a demanda de automóveis, gerando congestionamentos em vários pontos ao longo da cidade.
Uma solução para estes problemas seria a recuperação dos leitos naturais que circundam o local, tanto no transporte de pessoas como no de cargas, visto que os igarapés percorrem todas as zonas da cidade. Isto levaria tanto em um alívio do modal rodoviário como seria bom para o turismo na cidade, podendo desta forma fazer uma nova Veneza como em outros tempos já foi sonhado. Outro ponto importante seria a despoluição das águas e consequentemente melhorias para o meio ambiente, podendo trazer novamente balneários que antes eram frequentes ao longo dos igarapés e deixando a cidade mais agradável em todos os aspectos.

Porém, um projeto ousado como esse teria de ser bem pensado e de preferência ser integrado com outros projetos viários já existentes, pois vários obstáculos existem, como a grande desapropriação dos ribeirinhos, derrubada de pontes, além de questões econômicas. Mas avaliando de um modo geral, os benefícios se sobressaem na maioria dos aspectos, sendo esta, uma forma de tratar os problemas dos transportes na cidade e trazendo de volta algo que foi usado logo em sua colonização. 

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