É consentimento de grande
parte da população de Manaus que a cidade possui graves problemas em relação à
mobilidade urbana. A dificuldade de locomoção é oriunda de adversidades
distintas, porém, comuns a todas as regiões metropolitanas que não possuem um planejamento
adequado. A centralização do automóvel como modelo
predominante de locomoção representa a variável mais destacada dessa situação supracitada
e as principais razões para isso são a falta de confiança no transporte público
coletivo, a cultura consumista em relação ao carro e os inúmeros incentivos
dados pelo Governo na produção e comercialização do veículo.
As intervenções urbanas nos últimos anos na capital
amazonense tiveram como objetivo primordial a melhoria ou aberturas de novos
complexos viários que beneficiassem apenas o usuário do transporte individual.
Esse direcionamento foi responsável por gerar vias completamente adaptadas
somente para o uso do carro, pouco para os ônibus, e praticamente nada para
pedestres e ciclistas. Disso, advém a
desconfiança dos utentes em relação ao uso do transporte coletivo de massa e a
individualização do sistema. A solução para isso nasceria de uma melhor gestão
dos recursos disponíveis, conceito que é pré-requisito no entendimento de
qualquer governante, uma vez que a aplicação de 41 milhões de reais no complexo
viário Gilberto Mestrinho, inaugurado em 2010, se destinada à melhoria e
aumento da frota de ônibus poderia ter resultados mais significativos.
A cultura consumista em torno do carro no Brasil é
procedente desde a era Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil entre 1956 e
1961. Nessa época houve a fundação de Brasília como capital do país, incentivos
à abertura de rodovias e instalações de indústrias automobilísticas no
território nacional. Diante da precariedade do sistema público de transporte em
Manaus, o alto consumo do carro tem crescido estatisticamente ao longo dos anos
e evidenciado a necessidade do poder público em convergir esforços para
apresentar projetos e melhorias visando o interesse coletivo.
Diante da necessidade em atrair empresas multinacionais
visando tornar o país atrativo do ponto de vista empresarial e gerador de
empregos, tem-se visto intensamente, desde meados de 2002, incentivos
concedidos à produção e fabricação de veículos automotores. Fiat, Volkswagen,
Renault são exemplos de indústrias automobilísticas que investem recursos
milionários aproveitando-se desse grande mercado consumidor. É fato que a
iniciativa privada tem uma parcela significativa no desenvolvimento do país,
porém, é necessária a estruturação desse sucesso de modo que o recolhimento
desses bons índices econômicos deva caminhar na direção paralela de uma
infraestrutura de qualidade.
A cidade de Manaus precisa se estruturar para comportar
todo tipo de mobilidade e não apenas aquela centrada na figura do carro, regra
válida para as principais regiões metropolitanas no Brasil. O excesso de carros
é um problema comum a todas essas cidades e as intervenções do poder público
são de suma importância. O desincentivo do uso do carro parte primeiramente do
oferecimento da melhoria do transporte público, arborização e política
paisagista que incentivem o deslocamento a pé e a abertura de ciclovias nas
principais vias.
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