domingo, 21 de julho de 2013

A centralização da mobilidade na figura do automóvel na cidade de Manaus e no Brasil

             É consentimento de grande parte da população de Manaus que a cidade possui graves problemas em relação à mobilidade urbana. A dificuldade de locomoção é oriunda de adversidades distintas, porém, comuns a todas as regiões metropolitanas que não possuem um planejamento adequado.     A centralização do automóvel como modelo predominante de locomoção representa a variável mais destacada dessa situação supracitada e as principais razões para isso são a falta de confiança no transporte público coletivo, a cultura consumista em relação ao carro e os inúmeros incentivos dados pelo Governo na produção e comercialização do veículo.
            As intervenções urbanas nos últimos anos na capital amazonense tiveram como objetivo primordial a melhoria ou aberturas de novos complexos viários que beneficiassem apenas o usuário do transporte individual. Esse direcionamento foi responsável por gerar vias completamente adaptadas somente para o uso do carro, pouco para os ônibus, e praticamente nada para pedestres e ciclistas.  Disso, advém a desconfiança dos utentes em relação ao uso do transporte coletivo de massa e a individualização do sistema. A solução para isso nasceria de uma melhor gestão dos recursos disponíveis, conceito que é pré-requisito no entendimento de qualquer governante, uma vez que a aplicação de 41 milhões de reais no complexo viário Gilberto Mestrinho, inaugurado em 2010, se destinada à melhoria e aumento da frota de ônibus poderia ter resultados mais significativos.
            A cultura consumista em torno do carro no Brasil é procedente desde a era Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Nessa época houve a fundação de Brasília como capital do país, incentivos à abertura de rodovias e instalações de indústrias automobilísticas no território nacional. Diante da precariedade do sistema público de transporte em Manaus, o alto consumo do carro tem crescido estatisticamente ao longo dos anos e evidenciado a necessidade do poder público em convergir esforços para apresentar projetos e melhorias visando o interesse coletivo.
            Diante da necessidade em atrair empresas multinacionais visando tornar o país atrativo do ponto de vista empresarial e gerador de empregos, tem-se visto intensamente, desde meados de 2002, incentivos concedidos à produção e fabricação de veículos automotores. Fiat, Volkswagen, Renault são exemplos de indústrias automobilísticas que investem recursos milionários aproveitando-se desse grande mercado consumidor. É fato que a iniciativa privada tem uma parcela significativa no desenvolvimento do país, porém, é necessária a estruturação desse sucesso de modo que o recolhimento desses bons índices econômicos deva caminhar na direção paralela de uma infraestrutura de qualidade.

            A cidade de Manaus precisa se estruturar para comportar todo tipo de mobilidade e não apenas aquela centrada na figura do carro, regra válida para as principais regiões metropolitanas no Brasil. O excesso de carros é um problema comum a todas essas cidades e as intervenções do poder público são de suma importância. O desincentivo do uso do carro parte primeiramente do oferecimento da melhoria do transporte público, arborização e política paisagista que incentivem o deslocamento a pé e a abertura de ciclovias nas principais vias.

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