A
concepção do planejamento dos transportes na cidade de Manaus data do início do
século XX, época do ciclo da borracha. Como em grande parte do país, com o
passar dos anos e a evolução econômica e produtiva da cidade, surgia a
necessidade de evolução da infraestrutura de transportes acompanharem esse
surto econômico. De fato, o paralelismo se fez ausente principalmente entre
duas vertentes: necessidade de mobilidade e expansão urbana.
A ideia de que é necessário
implementar um meio de transporte com bom grau de eficiência é antiga. No ciclo
da borracha, época mais importante da histórica econômica e social do Brasil, o
bonde era a tração animal e a novidade nas grandes cidades do mundo era o bonde
elétrico. A instalação do bonde elétrico foi possível devido ao pioneirismo de
Manaus na introdução da eletricidade como forma de iluminação pública no
Brasil.
O gasto com energia elétrica e a
pouca rentabilidade à concessionária tornaram o uso do bonde inviável. No
Brasil, historicamente, a concentração dos esforços para a melhoria da malha
rodoviária em detrimento dos outros modais se tornou notável. Em Manaus, a
situação foi similar com o segundo surto econômico, dessa vez provocado pela
Zona Franca, e a decorrente expansão horizontal da cidade.
A Zona Franca por sua vez, foi
propulsora de grande incremento populacional e econômico a partir da década de
70. Com isso, houveram melhorias na infraestrutura fluvial, e a construção do
Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, hoje o terceiro do Brasil em
movimentação de cargas. Porém, a mobilidade no interior da cidade ficou cada
vez mais limitada uma vez que os migrantes da outras regiões do país tendiam a
ocupar zonas periféricas, o planejamento urbano não supria a demanda e o mesmo era
feito de maneira incipiente.
A década de 80 e o seu baixo
crescimento econômico fez estagnar a situação do país em geral, principalmente
em relação a qualquer investimento em infraestrutura. Diante disso, em Manaus,
a carência de qualidade no transporte público coletivo e o insucesso de
programas recentes de viação, como o Expresso de Manaus que não contou com a
adaptação das principais vias da cidade, fomentaram consideravelmente a venda
de veículos automotores de maneira desproporcional ao crescimento da
infraestrutura.
A
solução para este insucesso recente vem desde a necessidade de estudos técnicos
detalhados feitos tanto pelo interessado, no caso a administração pública na
figura da prefeitura ou do governo do Estado, quanto pelo financiador, no caso
o BNDES, que deveria ser mais criterioso na alocação desses recursos públicos a
fim de evitar prejuízos a níveis milionários.
Como
alternativa atualmente, projetos da administração atual como o Ciclofaixa e o
Faixa Liberada tem aumentado o número de ciclistas na cidade. A ideia tem se
difundido através de panfletos e utilização dos principais meios de
comunicação, como rádio e televisão, porém faltando um direcionamento maior
para a concepção da bicicleta como meio de transporte e não apenas como
práticas de exercícios.
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